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Data publicação: 20/02/18 | Fonte: Revista AlgoMais

A medicina sem pressa

Drª Sylvia Lemos Hinrichsen

O termo Slow medicine (medicina se pressa), foi criado em 2002 pelo cardiologista italiano Alberto Dolara que propôs aos profissionais de saúde dedicarem mais tempo ao paciente e fazer uso mais comedido de tecnologia para exames. A Slow medicine não é, portanto, uma especialidade, mas um movimento que se iguala ao conceito da slow food, criado em 1986 também por um italiano, Carlo Petrini, como reação à fast food, que tem como bandeira instituir um ritmo de vida mais lento, com mais espaço para usufruto de prazeres, como a bebida e a comida, além da qualidade de vida.

A slow medicine tem-se propagado por diversos países para divulgar uma medicina mais humana. No Brasil, desde 2010, seus princípios vêm sendo discutidos, como uma assistência à saúde mais próxima das pessoas, atenta, sóbria, respeitosa, cautelosa, ponderada e justa para pacientes de todas as idades, independentemente de ser perfil cultural ou socioeconômico, atendidos tanto em consultórios, como em pronto socorro e ou no hospital. (www.slownedicine.com.br)

Na realidade, trata-se de uma filosofia e de uma prática médica que oferece um melhor cuidado, baseando-se nas melhores evidências científicas, centrando o foco no paciente. Por isso, valoriza a escuta dele com toda a sua cultura e experiência de vida, permitindo que Ele tenha autonomia a ponto de compartilhar decisões sobre a sua saúde, o autocuidado e a resiliência.

A medicina em pressa prioriza o tempo para refletir, para construir relações sólidas e duradouras entre médicos, equipes multidisciplinares, pacientes, famílias e comunidade. Busca, assim, resgatar o tempo na ciência e na arte de cuidar. Há a valorização da prevenção; da qualidade de vida; da medicina integrativa; da segurança do paciente para não intervir quando dúvidas; da paixão e da compaixão.

A slow medicine também propõe uma assistência que busca a tecnologia apropriada de acordo com as necessidades de cada paciente e de sua situação vivencial e cultural. Propõe, portanto, o uso parcimonioso dos recursos tecnológicos, que devem sempre servir ao homem, não o contrário. A premissa é que “nem sempre fazer mais significa fazer o melhor”.

Recentemente, nos estados unidos, surgiu o projeto Choosing Wisely (escolhendo acertadamente), que reúne comunidades de diversas especialidades da saúde, que elaboram listas de práticas que são rotinas nas instituições de saúde/hospitais, através da discussão de condutas e/ou de procedimentos levando em contas a escuta de todos os profissionais e do paciente.

Assim, equipes multidisciplinares atuam “sem presa” em áreas como medicina preventivas; segurança do paciente; uso de antimicrobianos (stewardship); bem como no acompanhamento de doenças crônicas, com o uso apropriado de tecnologia em situações de maior risco, respeito ao período de convalescença e á história natural da doença.

Essas equipes também trabalham na incansável busca de mudanças de hábitos das pessoas o controle adequado dos riscos de adoecimentos, além da assistência hospitalar aos idosos, incluindo os cuidados de final de vida e o planejamento de sua alta e ou situações nas quais a pressa e a falta de um seguimento adequado podem significar reinternações precoces.

A medicina sem pressa baseia-se no pensamento do professor de medicina da Harvard, Bernard Lown, que diz: “o doente deseja ser conhecido, percebido e escutado como um ser humano e não apenas identificado como um código de conjunto de doenças” “A Slow medicine propõe uma assistência que busca tecnologia apropriada de acordo com as necessidades de cada paciente e de sua situação vivencial e cultural&rdquo