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Data publicação: 05/09/18 | Fonte: Folha de Pernambuco | Folha Saúde

Como evitar a gordura no fígado

Cerca de 20% dos brasileiros segundo a SBH, têm esteatose hepática

Único órgão do corpo capaz de se regenerar - reconstituindo até 75% de seus tecidos, quando se fala em fígado logo vem à mente que ele é o responsável por formar a secreção da bile. Apesar de ser esta a sua principal função, ela está longe de ser a única. O fígado ainda elimina tudo aquilo de que o corpo precisa se livrar: de micróbios a toxinas, passando por células sanguíneas desgastadas que já não funcionam direito. A produção diária de proteínas, só para citar uma prova de sua capacidade de trabalho, alcança uns 100 gramas. Outras vezes, o fígado simplesmente transforma um composto em algo diferente. Ele pode, por exemplo, criar gordura a partir de moléculas de álcool para conseguir uma reserva de energia - a famosa “barriga de chope”.

Se formos perceber a importância que fígado tem para o bem-estar corporal, não faltam motivos para cuidar da saúde desse órgão, um dos maiores e mais complexos do corpo humano. Mas, com as mudanças de comportamento associadas à vida moderna, o fígado tem sido cada vez menos preservado. Nisso, problemas, antes comuns após 60 anos, passam a incomodar cada vez mais pessoas jovens: o acúmulo de gordura nas células do fígado, a chamada esteatose hepática. Esta doença contemporânea tem se tornado uma das maiores demandas nos consultórios médicos e uma das causas para o transplante de fígado, de acordo o cirurgião e chefe da Unidade de Transplante de Fígado (UTF) de Pernambuco, Cláudio Lacerda. Estima-se que cerca de 20% da população brasileira têm esteatose hepática, segundo dados da Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH).

Segundo o médico-cirurgião, ao longo dos anos, a incidência da esteatose alcoólica tem ficado estável, enquanto que a esteatose não alcoólica tem subido nas pessoas com síndrome metabólica - ou seja, engana se quem pensa que a cirrose (espécie de cicatriz no fígado) é um problema que afeta apenas quem consome bebidas alcoólicas em exagero. “Essa síndrome (metabólica) é um conjunto de fatores de risco resultante de desvio nos hábitos alimentares, ou seja, obesidade, diabetes, hipertensão, alterações de colesterol, triglicérides e glicemia que, associados, aumentam a incidência da cirrose metabólica”, explica Lacerda, que há 19 anos comanda a equipe que atua no Hospital Universitário Oswaldo Cruz, Jayme da Fonte e Imip. Nos quadros leves, a doença é assintomática. Os sintomas só aparecem quando já surgem as primeiras complicações da gordura no fígado, que podem se dor, cansaço, fraqueza, perda de apetite e aumento do fígado.

Embora não exista nenhum medicamento capaz de curar a esteatose hepática, explica Lacerda, o quadro pode ser revertido com o tratamento dos fatores que provocaram o excesso de gordura no fígado, como aqueles atrelados à síndrome metabólica. “Basicamente, é ter uma alimentação saudável e praticar exercícios. Se você fizer isso, dificilmente, terá problemas no fígado”, afirma. O diagnóstico geralmente é feito por meio de exames de sangue relativos ao fígado e por métodos de imagem, como ultrassonografia de abdômen, tomografia ou ressonância magnética. São nesses exames de imagem que é quantificado o nível de gordura no fígado. Mas, quando há cirrose , uma das saídas é o transplante. “É por isso que é necessário realizar check up uma vez por ano, principalmente, a partir dos 40 anos, que é quando desenvolvemos um risco maior de doenças, de forma geral”.

54% negam a doação de órgãos

Seu parente morreu. É normal toda a família ficar abalada com a perda. Neste momento, um enfermeiro pede para conversar e solicita a autorização para doar os órgãos do seu ente querido para quem há anos espera por um órgão - e corre risco de morte. Porém, a recusa familiar ainda é um grande impasse para medicina salvar vidas. Em Pernambuco, ressalta o cirurgião Cláudio Lacerda, a porcentagem de familiares que negam a doação de órgãos ultrapassa a nacional: se no Brasil esse número representa 47%, em Pernambuco chega a ser 54%, segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). Estudos apontam que são três motivos principais para essa alta taxa de recusa: a incompreensão da morte encefálica, falta de preparo da equipe para fazer a comunicação sobre a morte e religião.

“Eu costumo dizer que o sorriso de um transplantado é diferente. Ele costuma dar mais valor à vida”. A percepção do cirurgião Cláudio Lacerda vem a partir das experiências pós-cirúrgicas com os pacientes. E, de fato, é um sorriso diferente e Lucas Vitorino, 16 anos, sabe bem o que é isso. Nascido no município de Feira Nova, no Agreste pernambucano, a 76 km do Recife, faz quatro meses que o garoto sabe o sentido do que é nascer de novo. Hoje leva uma vida normal e, mesmo tendo que tomar medicamentos até ficar bem velhinho, isso é o de menos para ele. “Me sinto outra pessoa. É um sentimento inexplicável. Tenho um novo fígado dentro de mim e não tenho mais medo de morrer”, desabafa.

Nelson Moura também tem a mesma idade de Lucas Vitorino. Mas, o drama dele é outro. Ou melhor, era até 11 meses atrás quando ele, enfim, conseguiu um fígado. Vítima de cirrose hepática, sua única solução para viver era um transplante. “Hoje eu corro, jogo bola, ando de bicicleta, tudo o que eu não fazia antes. Nasci de novo”, conta, emocionado. Essa gratidão, a enfermeira Karla Ribeiro, 31, leva no seu dia a dia. Transplantada há cinco anos, ela precisou de um novo fígado não por nenhuma doença, mas por causa de um erro numa cirurgia de vesícula quando tinha 12 anos de idade. “ A via biliar, que armazenada a bile, foi lesionada na cirurgia. Daí, a bile não passava mais pela via e ia direto para o fígado e isso, ao longo do tempo, comprometeu”, detalha. Em 2006, veio o diagnóstico de que ela precisava de transplante.